Um Café, Chuva, Sol, Pessoas, Vida… Gratidão!

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Era uma segunda-feira, pouco antes das 15h30, horário combinado com um amigo para um bate papo num simpático café da cidade. Coincidentemente, ele também chegou antes. Ironicamente, conseguimos nos desencontrar já dentro do café…

Enquanto o esperava, considerando que algum motivo o fizera atrasar, fiquei contemplando a paisagem urbana do outono curitibano. Em 15 minutos, fez sol, o céu acinzentou, choveu, voltou a fazer sol. Comecei a fazer os cálculos do mês. De repente, uma voz interna: Magda, você não lida mais com orçamento corporativo, desapega! Ainda seguindo um raciocínio inconsciente, lembrei dos esforços (energia e grana) que estão sendo investidos em um novo caminho profissional e considerei oportuno voltar a contemplar a paisagem e observar as pessoas – minha razão de estudo e foco de trabalho há alguns meses.

Algumas corriam da chuva, outras se divertiam, outras pareciam estar indiferentes. Indiferentes ao clima, ao horário, a estação do ano, enfim, provavelmente estavam preocupadas com a sua lista de atividades diárias. Se existe amanhã, se existe guerra civil, vacina gratuita ou inúmeros tons de verde na natureza, parecia não fazer diferença para elas. Reparei também em alguns pássaros e animais de estimação que compunham o cenário. Fiquei me imaginando contar sobre minha “contemplação vespertina” de segunda-feira à minha mãe. Embora seja uma mãe excepcional, voluntária incansável e considerada antenada para a sua geração, possivelmente questionaria se eu estava de folga, adoentada ou se tinha acertado na loto; fui criada para trabalhar duro, mais veloz que o compasso do coração, do raiar ao pôr do sol.  Levaria algumas horas explicando que estou estudando o comportamento das pessoas, o que as motiva, o que as faz acreditar no amanhã, o que as faz somar sua vida à de outra pessoa (algumas ainda dividem), como querem ser reconhecidas, sua missão de vida, o pensam sobre felicidade, qual o significado de paz, o que faz sentido em suas vidas, o que as diferencia, se acreditam no amor como fonte para um mundo melhor e, sendo coach, como posso ajuda-las.

Retornei ao café…, o bate papo, as novidades, as realizações, os cursos, os aprendizados, os sorrisos, as parcerias. Lembrei do desencontro que antecedeu ao encontro…  Se com as melhores das intenções, conseguimos errar e desencontrar, imagina se permitirmos ser absorvidos pela rotina desenfreada, deixando nossa vida seguir no piloto automático?

Uma gratidão imensa por escolher contemplar a vida, por me permitir viver e não apenas sobreviver, pelos desencontros e reencontros, pelas quedas e voos livres, por poder ver as diferentes cores do céu, por sentir a chuva e também o calor do sol. Pelas pessoas que cruzam o meu caminhar e, de alguma forma, me ensinam algo. Não existe alegria, sem passar pela tristeza, mas essa tristeza pode ser menos cinza se estivermos conectados com o nosso Eu Interior e presentes no aqui e agora, ainda que a vida nos presenteie de forma diferente do que esperamos.

MF, 07/06/2016.

Reconhecer-se causa sorrisos!

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Esses dias eu senti o chão mexer… a tela do notebook “correu” aos meus olhos… Achei que era o excesso de leitura e a falta dos óculos… Fui busca-los e não consegui chegar até eles…

Contrariando os modelos tradicionais e os quais eu sempre segui, resolvi fazer diferente. Ao invés de agendar para o mais breve possível uma consulta, fui buscar dentro de mim possíveis respostas para tal mal-estar.

Longe de mim ser rebelde, mas me dar esse tempo faz parte de algo que eu venho buscando há anos. Não fazia sentido eu negligenciar o tempo que lutei para conseguir e para poder olhar pra mim com o merecido cuidado. Não fazia sentido eu desprezar a oportunidade de ampliar o autoconhecimento e, quem sabe, exercitar a auto cura. Porque eu acredito que parte dela (uma grande parte) – da cura –  está dentro da gente.

Semelhante ao feito durante a anamnese, fui analisando os acontecimentos dos últimos meses. Tudo mudou! A resposta estava óbvia: mudar mexe com o chão da gente. Mexe com a nossa segurança, coloca em teste se damos conta de colocar em prática aquilo que lá no fundo o coração da gente um dia quis e desejou, e o que mentalizamos e o Universo se encarregou de materializar. Muitos questionamentos compuseram a minha anamnese: aquela segurança da minha fase “anterior” era segura mesmo? Eu estava me sabotando? Eu era valorizada? Eu me valorizava? Eu aprendia mais ou ensinava mais? Ou nenhum dos dois? Era cômodo? Eu podia voar? E a questão mais intrigante: Eu era feliz?

Injusto dizer que eu era infeliz. Injusto dizer que eu não aprendia. Justo dizer que eu estava desconfortável. Porque no fundo eu desejava fazer diferente e sentia uma certa culpa por querer mudar tendo a consciência de que muita gente gostaria de ocupar o meu lugar. Muita gente desconhecia o preço…. Enfim, eu pagava o preço e, de certa forma, paga-lo fazia eu me sentir competente e poderosa. Danado de ego! Aos poucos fui tendo mais respostas e dar o devido tempo para refletir sobre elas, tem me ajudado a pisar com mais segurança mesmo que o chão seja incerto. Sigo firme em solo instável, porém fértil. Há espaço para todos.

Reconhecer que tenho limitações, reconhecer que necessitar de ajuda faz parte do jogo, assim como oferecer ajuda, relembrar que as respostas e a cura estão dentro de mim, deixar pra trás tudo e todos que são fake e reforçar minhas qualificações são passos importantes nesse caminhar. Ter as rédeas da minha vida em minhas mãos é sensacional, estar na direção da vida é demais! Dá frio na barriga, dá trabalho, dá preguiça, dá tontura. Também dá vontade de sorrir mais. Causa prazer. Aumenta a felicidade. Vale à pena. Vale mesmo!

MF, 28/02/2016.