Conecte-se à Essência!

bebe

Um  convite!

Convido a olhar para você quando bebê recém-nascido (estou fazendo o mesmo daqui, ok?!). Mal dávamos conta de segurar a cabeça no corpo. Poucos meses adiante, já engatinhávamos e em seguida, ainda que buscando apoio, ficávamos sob os nossos dois pés! Cada um no seu tempo, descobrimos sozinhos como andar. Incrível refletir sobre a nossa capacidade de aprendizagem, de assimilação e de superação… Incrível sentir como era a nossa conexão com o Divino! \o/

Sem dizer da nossa comunicação não verbal, éramos mestres. Entendíamos e nos fazíamos entender muito bem. Estava tudo certo.

Os anos passaram e cumprimos o padrão: escola, boletins, melhor aluno, filho exemplar, passar de ano, passar no vestibular, entrar no mercado de trabalho, sobreviver no mercado de trabalho. Em resumo, nossa cultura e educação nos impuseram as seguintes condições: ser o melhor sempre, não errar nunca (em um treinamento específico, peço que as pessoas repitam “eu posso errar e eu vou aprender” e alguns alunos empacam, engasgam, murmuram, e não conseguem dizer isso com firmeza). Não percebemos o quanto a coisa toda degringolou por termos nossa identidade atrelada à essa condição. Criamos máscaras e armaduras. A necessidade de ser visto, de pertencer e de reconhecimento nos cegou. Adoecemos. Espiritualmente adoecemos. Emocionalmente adoecemos. Acredito que quando a doença chega ao corpo físico é o ponto inicial da cura. Porque daí sim, sinestesicamente, sentimos a dor da doença instalada. Não tem jeito, é chegado o momento de parar e revisar tudo.

Talvez eu esteja “chovendo no molhado” para muitos, mas estou sentindo que o be-a-bá precisa ser revisitado. Aquilo que está escancarado na nossa cara é o mais difícil de enxergar. Possivelmente por ser o mais difícil de aceitar. Nossa alma sabe, mas o nosso ego cria ilusões… Então, ficamos correndo atrás do rabo.

Vamos voltar ao tempo de bebê… aquele tempo no qual não tínhamos medo do julgamento, preocupação em ser o primeiro a andar da turminha, nem do que os outros iam pensar. Havia amor e respeito. Por nós e pelos outros. Respeitávamos nossos limites, nossas preferências, nossos talentos. O amor era genuíno e expresso deliberadamente. Havia equilíbrio entre o dar e o receber, havia respeito pelos que vieram antes e todos fazíamos parte de algum sistema que, energeticamente, estava unido a um grande sistema, um único Universo.

Não lembro quando, mas em algum momento dessa competição, instalou-se o “ou” na minha vida. O bagulho é incrível, tem uma força violenta e é difícil se libertar dele. Funciona mais ou menos assim: ou você é famoso ou ninguém te vê; ou você tem o kit baita casa/carrão ou é considerado um zé ninguém; ou você tem filhos ou ainda não descobriu o amor incondicional; ou você inicia e termina sua vida profissional na mesma empresa ou é alguém que não valoriza a estabilidade; ou é o primeiro lugar ou não tem chance na vida; ou trabalha no que gosta ou ganha dinheiro; ou somos durões ou viramos motivos de risadas; e por aí vai.

Aprendi (confesso, há pouco tempo) a considerar o “e”. E isso tem mudado consideravelmente meu jeito de ver a vida e, consequentemente, o meu jeito de viver a vida. E, claro, eu mudei. Como fazer isso, Magda? Lembra do bebê? Volta lá, conecte-se. Naquele tempo, vivíamos no mundo do “e” e das infinitas possibilidades. Por inúmeros motivos, acreditamos que não podemos ser assim na vida adulta.  Duas palavras importantíssimas: consciência e equilíbrio.

Alguns processos de coaching que conduzo atualmente estão direcionados ao encontro da missão e fico feliz à beça com isso. Há uma pegadinha oculta nessa busca da missão, “fulano já se achou e eu ainda não”. Ao agir assim, voltamos à fase “fulano tirou nota 10, e eu também tenho que tirar”. Estou certa de que todos viemos por um propósito maior e viver conectados a esse propósito é algo indescritível. É como se não desse para viver de outro jeito, você acorda e dorme com isso, pensa, sente e age conectada a isso. Não significa que somos melhores ou piores (percebem o “ou” chatinho aqui?). Isso nos torna responsáveis. Responsáveis pela transformação do mundo.

No fundo, essa é a missão universal: transformar o mundo num lugar melhor para viver. Descobrir a missão individual passar por “como eu posso contribuir para transformar o mundo num lugar melhor para viver? Qual talento possuo e que posso disponibilizá-los à serviço do bem maior?”. Aquiete-se. Silencie. Conecte-se. Sua criança sabe. Sua alma sabe… “Está tudo certo no aqui e agora.”

Como diz Lulu: vamos viver tudo o que há para viver… vamos nos permitir…

Fé e força, galera! Que dezembro seja de descobertas. Que 2019 seja de realizações.

 

Muito amor… pela vida, pra vida, com a vida

Magda

 

MF, 03/12/2018

 

6 Meses de Adoção, 6 Meses Desenvolvendo o Sentir

Chico_6Meses_Final

 

Era um domingo de julho, atípico, ensolarado como hoje, há seis meses… Meu destino cruzou com um cãozinho vira-lata, tímido, medroso, ressabiado e olhar expressivo.

Eu, que tinha hora para sair de casa e sem hora para voltar, num gesto de impulsividade e paixão à primeira vista, o adotei. Batizei-o de Chico, nome do Papa e do Santo que gosto muito.

As primeiras semanas foram difíceis, Chico chorava o tempo todo, latia do nada e tremia a cada carinho. Eu ia trabalhar a base de energético e passei a utilizar com mais frequência a minha caneca de café durante o dia. Minha hora de almoço passou a ser dele, era o tempo que eu estava mais desperta e conseguia insistir numa aproximação, ensinar o uso do tapetinho higiênico, levar para passear, dar de comer. Nem sempre eu conseguia almoçar, mas sentir que estávamos evoluindo na relação, me satisfazia.

Já passamos meio inverno, uma primavera e meio verão juntos. Chico já ultrapassou diversas fases: A de comer havaianas, comer o rolo do papel higiênico quase inteiro, comer apenas biscoitinho e nada de ração, cheirar minhas meias. Agora ele está na fase de se achar cão de guarda do bairro, farejador do FBI e meu defensor absoluto. Se quiser se aproximar de mim, é melhor trazer alguns biscoitinhos ou vai ter um cãozinho latindo na sua orelha por vários (que parecerão intermináveis) minutos. Além disso, ele vai cheirar você inteirinho até dar autorização para você dar um passo a frente.

Diferente dos humanos, a única forma de comunicação dele é através de latidos, gemidos e choro. Nunca vou ouvir Chico dizer “mãe, estou com dor de barriga”. Não que isso o deixe menor, afinal, cá entre nós, sabemos de humanos que vão viver muito e ainda assim, comunicar-se-ão feito principiantes. C´est la vie.

Penso que é um equívoco afirmar que me tornei mais sensível em função desse tipo de comunicação do Chico, mas é fato que estou desenvolvendo minha sensibilidade com o intuito de sentir o que significa cada latido, gemido, choro ou lambida. E isso tem impactado na minha vida de forma geral. Porque eu estou há anos com o exercício de julgar menos e conseguir se colocar no lugar do outro. Chico me fez entrar num módulo “intensivo ultra hard” de empatia. Estou entendendo (não significa que aceitando) com mais facilidade as direções dos humanos. Sinto-me mais leve e, consequentemente, mais feliz.

Se eu passei muito tempo falando sozinha, agora eu falo com o Chico. Penso que ele também tenta me entender. Às vezes, eu peço: Chico, esqueci a toalha, vai lá na lavanderia pegá-la por favor, não quero sair do banho e molhar a casa inteira. Ele parece dizer: Se eu conseguisse pular até a altura do varal, eu atenderia você. Todos os dias fazemos oração juntos. Por vezes, ele parece refletir: Essa mulher é doida! Mas eu gosto mesmo, quando ele me lambe querendo dizer “tudo vai dar certo”. Sem dizer na velocidade 9 do rabo dele quando eu chego em casa.

Chico é travesso, levado, carinhoso, por vezes malcriado e dengoso. Como todo ser em desenvolvimento e saudável.

Estou feliz por honrar a confiança que Chico me deu. Estou feliz porque ele está mais corajoso e seguro de si. Fico feliz quando o vejo brincando, serelepe. Sou feliz, também, por ser mãe de cachorro. Sou grata por esse vira-lata me ajudar a desenvolver a sensibilidade do ver, ouvir e sentir, não apenas com o físico, mas com a alma. Sou grata por ele ensinar tanto.

É uma delícia ser a mãe do cãozinho mais lindo do Sul do mundo. \0/

MF, 24/01/2016.