Aprendendo na Ilha

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Hoje não faz sol na Ilha, mas também está abafado para ficar dentro de casa. Pronto, encontrei mais um motivo para um rolê… Os outros motivos são: encontrar a casa da D. Luiza, diz minha mãe que é a melhor cozinheira de salgadinhos de camarão e que todas as outras quituteiras da Ilha aprenderam com ela; andar por aqui tem cheiro e gosto de infância, quero relembrar meus desejos, quais foram realizados, quais foram esquecidos, quais foram incluídos na lista…

A Ilha está invadida pelos turistas e meu egoísmo não permite que eu veja vantagens nisso. Não enquanto não existir infraestrutura para receber todos que querem conhecer a 3a cidade mais antiga do Brasil (descoberta em 1504) e onde esta o Museu Nacional do Mar, queridinho do Amyr Klink. Procuro por praias desertas, por ondas, pelos meus sonhos e pela D. Luiza!!!

Chico me olha intrigado, parece perguntar se não estou com pressa. Chico me conheceu uma mulher com pressa, sem tempo e, talvez, desiludida. Ainda criança, eu sonhava ser dona do meu nariz, da minha conta bancária e do meu tempo. Conquista alguma paga o preço de não sermos senhores do nosso tempo, se formos refém de alguma instituicao ou qualquer pensamento que não seja o nosso. Isso é motivo de desilusão na certa.

Meu rolê continua, check list dos meus desejos à pleno valor em minha mente, lembranças da infância, cheiro do mar… deliciosa sensação…

Cadê D. Luiza? Perdi a noção das horas, mas sei que estou com fome. Espero que tenha salgadinhos prontos… Encontrei uma casa verde com a dita placa dos quitutes, mas a D. Luiza, nao! O marido informou que ela havia ido ao supermercado e logo voltaria. Ouvi o som de ondas e resolvi ficar por perto aguardando a chegada da famosa quituteira.

Alguns metros a frente conheci o Seu João, faz e conserta redes de pescaria. Me deu atencao, enquanto ouvia seu radinho, pitava e fazia remendos numa rede. Contou que suas redes viajam mundo afora e que conhece muita gente. “Às vezes vem gente do estrangeiro, nao entendo nada, mas quando queremos nos comunicar, a gente då um jeito; minha paixão é isso aqui”, disse ele.

Saboreei os salgadinhos ainda pelo caminho, não quero mais ter pressa, não preciso… Me dei conta que realizei muitos desejos que não sonhava na infância, que pessoas inspiradoras sempre cruzam no meu caminho, que ainda tenho muito a aprender, mas sou razoável em comunicação e que meus olhos brilham tendo consciência e gratidão por tudo isso.

MF em São Francisco do Sul, 02.01.2016

Ps.: Seu João trabalha sem camisa e por isso, não queria tirar foto. “Sou simples, mas não quero parecer deselegante.” Mal sabe ele o quão rico e elegante é e o quanto me ensinou hoje.
Pedi permissão para uma fotinho de longe. Além de elegante e rico, também é gentil.

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