CO & CO = Coração & Consciencia

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Chico dormiu cobertinho e com roupa. Acordou serelepe e sem roupa.

Se tivesse uma cadelinha na área, diria como minha avó: deve ter feito “saliência” a noite toda. Vai saber os sonhos e fantasias desse cãozinho. Se o acho humano em vários aspectos, há de ter seus desejos secretos também…

Hoje é sábado e conseguimos tomar café da manhã com calma. Expectativa de uma caminhada menos apressada também. Saímos e já no elevador, Chico, sem cerimônia, cheirou e lambeu quem encontrou. Não tratou de saber se a pessoa tinha afeto por seres caninos, nem questionou se sua atitude seria bem vinda. Foi lá e fez.
De primeira, achei meio invasiva essa atitude. Mas, ao constatar que as pessoas gostaram do seu “carinho”, percebo que ele consegue quebrar o gelo. Age tão inocentemente, que é bem aceito. Somos parecidos.

Sou do tipo que prefere olhar a metade cheia do copo, aquela que me sacia. Sei que há muitas pessoas trabalhando em prol do próximo, mesmo desconhecendo o próximo ou mesmo o próximo já tendo lhe feito algum desagrado, há outros defendendo a natureza, há também aqueles que lutam por disseminar a arte e a cultura. E muitas outras frentes, cada qual contribuindo para um mundo melhor à sua maneira. Mas não dá para fechar nem cobrir os olhos para a parte ruim. Crianças pagando com a vida, desmatamento desnecessário, competições desleais nas corporações, guerra civil, sonegação, traições, corrupção deslavada. Causa embrulho…

Vem à mente a cena do elevador. Estou certa de que a humanidade está precisando do que os animais e as crianças têm de sobra: coração puro e consciência tranquila.

MF, 12.09.2015

Sentir E Seguir Com Fé 


Hoje, em São Francisco do Sul, festividades para Nossa Senhora da Graça.
Hoje, em Curitiba, festividades para Nossa Senhora da Luz.

Cidades que me acolheram… Diferentes no estilo, na sua história, mas semelhantes no exercício da fé, felizmente.
Tenho necessidade dessa prática diária: a prática da fé. É essa fé que me move, que alimenta minha alma, me fortalece, me tranquiliza e me direciona. Por vezes, não sei onde vou dar, porém a fé em que estou sendo bem guiada, me faz continuar. Sigo com passos firmes e coração leve. Tenho gratas surpresas.

Hoje, ao acordar, lembrei-me da minha infância na Iha de São Chico. Algum tempo antes da comemoração da Padroeira, minha escola já começava a se preparar para as festividades. Arrecadávamos pó de café usado, tampinhas das garrafas de vidro, papel laminado… tudo para a confecção dos tapetes religiosos. Como eu me divertia fazendo os tapetes, como sempre foi importante pra mim, ser útil de alguma forma… Uma coisa me incomodava: não entendia muito bem o porquê de ser permitido pisar nos tapetes durante a procissão, achava que deveríamos caminhar ao lado, admirando nossa “arte”.

Alguns anos depois entendo o processo. Concordo que apenas admirar não é suficiente, a gente tem que construir, demolir, reconstruir. Colocar as mãos e os pés na massa. E o mais importante: colocar a alma, o coração. A gente tem que sentir. Sentir a poeira nos pés, a grama molhada, a brisa do mar, da montanha, o frio da chuva, o nascer e o pôr do sol, o brilho da lua, a respiração dos filhos, o sabor do pão quentinho, do café forte, do chimarrão, os batimentos do coração e os arrepios da alma. Estar aberto e sensível para sentir tudo isso é acertar todos os números da loto. É felicidade das mais puras!

A vida é feita de chegadas e partidas. Todo mundo quer um porto seguro. Existe? Claro! Dentro da gente. Esse é um dos segredos: qualquer que seja o destino, temos que ser nosso próprio porto seguro.

Entendo que começos, recomeços, chegadas e partidas podem ser precedidos por demolições. Não faz diferença. O importante é sentir e seguir… Pra frente, sempre… Com fé, em paz e leve.

Nossa Senhora da Graça, concedei graças mundo afora. Desculpe todos nós. Ajudai-nos a fazer um mundo melhor.
Nossa Senhora da Luz, iluminai os crédulos e incrédulos. Iluminai nossas ações, pensamentos e sentimentos. Ajudai-nos a fazer um hoje melhor.

MF, 08.09.2015